A mudança que pouca gente percebeu mas já está afetando o caixa
Nem toda mudança tributária chega fazendo barulho.
Algumas são mais perigosas.
Elas não aumentam drasticamente a alíquota.
Não geram manchetes alarmistas.
E, justamente por isso, passam despercebidas.
A redução das isenções de PIS e Cofins em 2026 é exatamente esse tipo de mudança.
Silenciosa. Técnica. E altamente impactante.
Empresas que operavam com alíquota zero agora passaram a pagar imposto ainda que pequeno na aparência.
Mas suficiente para corroer margens inteiras no acumulado.
O que mudou no PIS e Cofins em 2026
A mudança foi estabelecida principalmente por:
- Lei Complementar nº 224/2025
- Instruções Normativas da Receita Federal nº 2.305/2025 e 2.307/2026
O objetivo foi claro:
Reduzir benefícios fiscais e aumentar a arrecadação sem elevar diretamente as alíquotas padrão.
Na prática, isso foi feito por meio de uma redução linear de 10% nos incentivos tributários.
O fim da “isenção total”: como funciona agora
Antes, diversos produtos operavam com:
- Alíquota zero de PIS
- Alíquota zero de Cofins
Agora, esses mesmos produtos passaram a ter uma tributação mínima obrigatória.
Como ficou:
Regime não cumulativo:
- PIS: 0% → 0,165%
- Cofins: 0% → 0,76%
Carga total aproximada:
➡️ 0,925% sobre o faturamento
Pode parecer pouco.
Mas não é.
Por que 0,925% pode destruir sua margem
Empresas não operam com “percentuais isolados”.
Elas operam com:
- Margens apertadas
- Estruturas de custo sensíveis
- Cadeias longas de produção
Agora imagine:
- Cada etapa da cadeia pagando um pouco mais
- Sem aumento proporcional de preço
- Sem revisão estratégica
O resultado é previsível:
👉 compressão silenciosa de margem
Quais produtos perderam isenção de PIS/Cofins
A legislação não trouxe uma lista simples.
Mas, tecnicamente, foram afetados todos os produtos que dependiam de benefícios fiscais, especialmente aqueles com alíquota zero.
Veja os principais grupos:
1. Insumos do agronegócio
Um dos setores mais impactados.
Produtos afetados:
- Fertilizantes
- Defensivos agrícolas
- Sementes e mudas
- Corretivos de solo
Esses itens tinham alíquota zero como política de incentivo à produção.
Agora, passam a ter tributação mínima.
📌 Impacto direto:
- Aumento do custo de produção
- Pressão sobre o preço final
2. Indústria e insumos produtivos
Inclui uma ampla gama de produtos:
- Insumos industriais
- Produtos intermediários
- Componentes químicos
- Materiais de transformação
Muitos desses itens operavam com benefícios fiscais estratégicos.
Agora:
👉 passam a ter incidência parcial de PIS/Cofins
3. Setor farmacêutico
Produtos afetados:
- Medicamentos com alíquota zero
- Insumos farmacêuticos
Apesar de ainda existirem regimes específicos, o modelo de isenção ampla foi reduzido.
📌 Impacto:
- aumento de custo na cadeia
- possível repasse ao consumidor
4. Energia e combustíveis
Inclui:
- Gás natural
- Insumos energéticos
- Parte da cadeia de combustíveis
Esses produtos tinham incentivos fiscais relevantes.
Agora entram na lógica de tributação mínima.
5. Petroquímico e derivados
Produtos como:
- Nafta petroquímica
- Insumos químicos industriais
Também sofreram redução de benefícios.
Quem não foi impactado
Nem todos os regimes foram alterados.
Permaneceram com tratamento diferenciado:
- Exportações (não incidência)
- Entidades sem fins lucrativos
- Empresas do Simples Nacional
- Zona Franca de Manaus (em parte)
Ou seja:
👉 a mudança foi seletiva, não universal
O erro que está custando caro para as empresas
A maior parte das empresas ainda não fez o básico:
- Revisão de NCM
- Atualização de CST
- Recalculo de custo tributário
- Ajuste de precificação
E isso gera um problema sério:
A empresa continua vendendo com preço antigo, mas com custo novo.
Resultado?
📉 Margem menor
📉 Rentabilidade reduzida
📉 Crescimento comprometido
Como sua empresa deve reagir agora
Essa não é uma mudança operacional.
É estratégica.
Empresas que querem preservar resultado precisam agir em quatro frentes:
1. Revisão tributária completa
Mapear:
- Produtos afetados
- Alíquotas atualizadas
- Impacto real no custo
2. Reestruturação de precificação
Não é repassar custo automaticamente.
É:
- entender elasticidade
- ajustar margem
- reposicionar oferta
3. Revisão da cadeia de fornecedores
Avaliar:
- fornecedores nacionais vs importados
- impacto tributário por origem
- alternativas mais eficientes
4. Gestão ativa de margem
Empresas que crescem não são as que vendem mais.
São as que protegem melhor sua margem.
Gestão não é sobre reagir ao óbvio.
É sobre antecipar o que ainda não virou problema.
E hoje, a pergunta não é:
“O imposto aumentou?”
A pergunta certa é:
“Sua margem já foi impactada e você ainda não percebeu?


